16.ª Assembleia Geral da União Africana de Radiodifusão
Tema: Capacitar os media africanos: que estratégias para a resiliência financeira, o crescimento tecnológico e a inovação de conteúdos?
NOTA CONCEPTUAL
I – Contexto
O panorama mundial dos media encontra-se atualmente numa encruzilhada crítica. Em África, os órgãos de comunicação estão cada vez mais expostos a desafios interligados: pressões económicas, escassez de recursos financeiros, rápidas perturbações tecnológicas, concorrência crescente e desigual por parte de grandes grupos internacionais de informação, entre outros.
A ameaça à viabilidade dos media africanos está a fragilizar o tecido social, com consequências diretas para os profissionais da radiodifusão, cuja situação se torna cada vez mais precária.
Perante a competitividade imposta pelos novos canais de comunicação, aumentam as pressões sobre os radiodifusores africanos. Os modelos tradicionais de financiamento, baseados na publicidade e em subsídios públicos, estão a enfraquecer. Segundo a UNESCO, as receitas publicitárias em muitos países africanos diminuíram significativamente desde 2016. De acordo com o International Center for Journalists (ICJ), Google e Meta/Facebook absorvem hoje cerca de metade de toda a despesa mundial em publicidade digital, enquanto as receitas publicitárias dos jornais caíram para metade nos últimos cinco anos. Os orçamentos públicos são cada vez mais direcionados para outras prioridades. Esta escassez de recursos torna os media mais vulneráveis à influência política, à desinformação e à dependência externa, comprometendo a sua capacidade de exercer um papel de contrapoder.
Mudança de paradigma
As transformações tecnológicas, embora ofereçam novas oportunidades, colocam desafios consideráveis. A transição digital exige investimentos importantes em infraestruturas, educação para os media e desenvolvimento de competências. Muitos órgãos de comunicação africanos, sobretudo nas regiões mais remotas, não dispõem dos recursos necessários para se adaptar rapidamente. A fratura digital aumenta, marginalizando uma parte significativa da população e limitando o acesso a informação relevante.
A concorrência mundial intensifica-se. Com a sua capacidade tecnológica e ampla cobertura por satélite, grandes grupos de media não africanos captam uma parte considerável das audiências do continente em detrimento dos media locais. Esta hegemonia mediática ameaça sufocar as vozes africanas e reduzir a capacidade dos media do continente para refletir e promover as suas culturas e identidades próprias. Como podem então os governos africanos criar um ambiente mediático favorável ao crescimento e à resiliência? Não será esse um papel crucial?
A urgência da ação
Perante esta situação crítica, a União Africana de Radiodifusão deve agir com uma visão clara, determinação firme e vontade de transformação profunda. É tempo de repensar os nossos modelos económicos e as nossas estratégias de produção e distribuição.
A inovação deve ser a nossa bússola e a antecipação o nosso método. É tempo de construir um novo paradigma para o futuro da radiodifusão, centrado na integração de novas tecnologias (IA, Big Data, Blockchain, 5G), na diversificação das plataformas (streaming, podcasts, redes sociais) e na adaptação aos comportamentos das audiências. Esta transformação não é uma opção; é uma urgência e uma necessidade fundamental para preservar a vitalidade e o impacto dos media africanos.
II – Objetivo
O principal objetivo da 16.ª Assembleia Geral da UAR é definir e promover estratégias transformadoras e soluções inovadoras que garantam a resiliência e a viabilidade dos media africanos perante os desafios económicos, tecnológicos e concorrenciais, preservando o seu papel essencial no desenvolvimento social, cultural e económico do continente.
III – Eixos temáticos
– Resiliência financeira (estratégias inovadoras, modelos económicos).
– Resiliência tecnológica (radiodifusão por satélite: custos, investimentos, perspetivas).
– Conteúdos inovadores (relevância, resposta às aspirações das audiências, juventude, diversidade, igualdade de género, etc.).
IV – Painéis
Painel n.º 1: Radiodifusão televisiva e transição digital: desafios, inovação e perspetivas para o audiovisual africano.
Painel n.º 2: Resiliência financeira: antecipar, gerir e prosperar.
Painel n.º 3: Inovação nos conteúdos: criar, gerar impacto e destacar-se num ambiente competitivo.
V – Público-alvo
Diretores-Gerais representando os media; responsáveis institucionais; especialistas; académicos; criadores de conteúdos; representantes de uniões congéneres; parceiros.



