Fundação da UAR organiza masterclass sobre cancros masculinos e apela à ação dos media e dos governos para a deteção precoce
O Diretor-Geral da União Africana de Radiodifusão (UAR), Grégoire Ndjaka, afirmou que, ao construir narrativas que destaquem percursos pessoais e deem voz aos sobreviventes de cancro e às suas famílias, os media podem promover esperança, resiliência e solidariedade comunitária, melhorando a compreensão do público.
Ndjaka fez esta declaração numa mensagem em vídeo que abriu as Masterclasses da Fundação da UAR contra o Cancro (AFAC) sobre cancros masculinos. «A nossa jornada começa com uma análise aprofundada da epidemiologia, do diagnóstico e do tratamento dos cancros masculinos, permitindo compreender os fatores biológicos, sociais e culturais envolvidos, para que possamos criar conteúdos rigorosos, convincentes e empáticos, que informem sem provocar medo», afirmou.
Acrescentou que, através da arte de contar histórias, é possível transformar estatísticas abstratas de saúde em experiências humanas compreensíveis.
Numa apresentação forte e esclarecedora na primeira sessão das Masterclasses sobre Cancros Masculinos, o especialista médico e defensor da saúde pública Sami Ben Rhouma apresentou uma análise preocupante sobre a prevalência e os perigos dos cancros específicos do homem, com especial enfoque nos cancros da próstata e da bexiga.
Perante uma audiência virtual composta por profissionais dos media de todo o continente, Rhouma destacou a necessidade urgente de reforçar a sensibilização pública e o apoio dos governos face a uma crise de saúde que cresce rapidamente em África.
Explicou que o cancro da próstata continua a ser uma das principais causas de morte por cancro entre os homens, enquanto o cancro da bexiga, embora menos discutido, representa igualmente uma ameaça significativa. Identificou vários fatores de risco importantes, incluindo o tabagismo, a exposição prolongada a produtos químicos industriais e, em alguns casos, a predisposição genética. Observou ainda que o cancro da bexiga pode manifestar-se de forma discreta, com sintomas iniciais como sangue na urina, frequentemente ignorados, conduzindo a diagnósticos tardios.
Rhouma defendeu com firmeza a deteção precoce através de rastreios médicos regulares, sublinhando que a intervenção precoce pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Destacou a necessidade de normalizar o rastreio, sobretudo para homens com 50 anos ou mais.
Para além da sensibilização pública, Rhouma chamou a atenção para o fraco investimento na investigação médica, uma desigualdade preocupante no combate mundial ao cancro. Segundo ele, África encontra-se muito atrasada em termos de capacidade de investigação comparativamente às regiões mais desenvolvidas.
Apelou aos governos africanos para que atribuam financiamento significativo à investigação médica, argumentando que soluções desenvolvidas localmente e adaptadas às realidades genéticas e ambientais das populações africanas constituem o caminho mais sustentável.
As Masterclasses da Fundação da UAR contra o Cancro (AFAC) sobre cancros masculinos constituem um programa de formação online em quatro partes destinado a dotar os profissionais dos media de ferramentas e conhecimentos para informar e educar melhor o público. A série inclui módulos sobre: compreensão dos cancros masculinos; ética e tratamento mediático; storytelling e testemunhos; estratégias de prevenção e sensibilização.



