Reunidos em Gaborone para a 15.ª Assembleia Geral da União Africana de Radiodifusão (UAR), especialistas debateram o papel dos media perante a dimensão crescente das migrações e a multiplicação das tragédias. Dos pontos de partida às fronteiras e aos ecrãs, os jornalistas contribuem fortemente para moldar a narrativa sobre a migração. O desafio consiste em informar sem alimentar medo, divisão ou estigmatização.
O debate ocorreu num contexto marcado por tragédias recentes nas rotas migratórias. Em setembro de 2024, uma embarcação com mais de 150 pessoas naufragou ao largo do Senegal, perto de Mbour, provocando dezenas de mortes. No dia seguinte, a Marinha senegalesa intercetou outras embarcações com centenas de passageiros.
Os participantes analisaram a responsabilidade dos meios de comunicação na explicação das causas profundas das migrações e na promoção de soluções sustentáveis. O painel da UAR, sob o tema «Migrações: rumo a outro destino; desafios e oportunidades. Podem os media desempenhar um papel?», reuniu representantes dos media africanos, europeus e asiáticos.
Moderado pelo Dr. Javad Mottaghi, professor da HEC Montréal, o painel contou com Cléophas Barore, Presidente do Conselho Executivo da UAR e Diretor-Geral da Rwanda Broadcasting Agency; Simona Martorelli, Diretora de Assuntos Internacionais e Europeus da RAI; e Shashi Shekkar Vempati, antigo Presidente do Conselho de Administração da Doordarshan TV, na Índia.
Os debates destacaram que as migrações económicas, políticas ou climáticas resultam de múltiplos fatores: desigualdades, conflitos, alterações climáticas, repressão política, falta de emprego, reunificação familiar e procura de melhores oportunidades.
Os participantes defenderam que os media devem informar tanto sobre a realidade dos países de destino como sobre as condições nos países de origem. Também podem contribuir para combater racismo, discurso de ódio, xenofobia, discriminação, notícias falsas e deepfakes.
Ao destacar histórias de sucesso locais, promover boa governação e investigar fatores como corrupção, desigualdade ou limitação de liberdades, os media podem deixar de ser observadores passivos e participar numa compreensão mais equilibrada do fenómeno migratório.
Os especialistas recomendaram ainda reforçar o intercâmbio de conteúdos sobre migração entre os media de África, Europa, Ásia e América Latina. O acordo de intercâmbio de conteúdos entre a UAR e a Aliança Informativa Latino-Americana foi citado como exemplo de cooperação.
No final do painel, o Diretor-Geral da UAR, Grégoire Ndjaka, anunciou a preparação de um Fórum Africano sobre Migração destinado a profissionais da comunicação, jovens e decisores, com o objetivo de reunir os principais atores para refletir sobre os desafios migratórios.



